ETS


ETSHace poucas semanas, tive a honra de ser convidado para a Reunião Anual de Dermatologistas Privados para dar uma palestra sobre “Patologia Genital Masculina em ETS: a experiência de um urologista”. Vou resumir as principais conclusões desta exposição.


As Doenças de transmissão sexual são tratadas por vários especialistas (dermatologistas, ginecologistas, urologistas ou médicos médicos gerais) com o que se gera confusão os pacientes para saber a que especialista recorrer. O certo é que a maioria dos pacientes masculinos vêm em primeiro lugar os urologistas pela repercussão clínica que têm as DST no pênis: secreção uretral, dor ao urinar, verrugas, bolhas, áreas liquenificadas, dor ou inflamação.


Outro dado que pode ser surpreendente é que as DST continuam a aumentar em todo o mundo, apesar das campanhas de informação e as novas tecnologias. Nos EUA, foram mais de 2 Milhões de DST no ano de 2016, com uma progressão ascendente nos últimos anos. Na Europa, a situação é semelhante, e ainda há uma imensa maioria de casos que não se declaram assim que a situação real pode ser muito mais ampla.


Os principais germes de transmissão sexual são as Clamydias, o gonococo, o HPV, o vírus do herpes, o treponema palidum causador da sífilis, o ureaplasma e micoplasma. Não vamos falar aqui de infecções por HIV ou hepatite posto que saem da especialidade de urologia.


Outro dado essencial para compreender o crescimento das ETS é que mais de 90% das mesmas são assintomáticas com o que se uma pessoa tem vários casais ao mesmo tempo, pode transmitir de forma exponencial desta infecção. Uma pessoa com 2 parceiros sexuais expõe a 3 pessoas; uma com 3 parceiros sexuais afeta a 7 pessoas e uma pessoa com 4 parceiros sexuais pode chegar a envolver a 15 pessoas. Com o gráfico a seguir expostos, podemos imaginar o impacto das DST:


ETSETS


No caso dos jovens com menos de 25 anos, mais do que a poligamia influenciam as relações únicas “em cadeia”: têm vários casais em curtos períodos de tempo, pelo que, se o período de incubação de uma das DST é de 3-4 semanas, podem contagiar ao novo casal sem ter sido “infiéis” esse novo casal.


A transmissão é mais eficiente do homem para a mulher, uma vez que a vagina atua de reservatório ocorrendo uma maior exposição de tecido vaginal, os microtraumatismos durante o coito facilitam a transmissão, as infecções são mais assintomáticas e, por último, alguns testes de detecção são menos sensíveis. Por isso, toda mulher acima de 25 anos e que já teve vários parceiros sexuais deve ser feito um exame de DST e aids, uma vez por ano, mas a realidade é que não se costuma fazer.


Em Portugal, no momento atual, são de declaração obrigatória a infecção por Chlamydia), o linfogranuloma venéreo, sífilis a sífilis congênita e infecção gonocócica.

Doenças de transmissão sexual no homem (ETS)-I
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